Ronaldo Morado – um apaixonado por cerveja

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Como bom belo-horizontino, Ronaldo Morado sempre teve uma forte relação com bares,  local onde, segundo ele, “o mineiro convive, se inspira e conspira”. A paixão pela cerveja, então, foi natural e inevitável. Interessado, o hoje cervejólogo começou a pesquisar sobre a indústria cervejeira e sua história. Em uma viagem à Laggenfeld, pequena cidade alemã, Ronaldo conheceu mais de 10 estilos diferentes de cervejas, o que na época nem imaginava existir. A partir disso, ele entrou de vez no mundo da bebida, a terceira mais consumida no mundo, atrás apenas da água e do chá. Em entrevista ao Blog do Casa, Ronaldo conta um pouco mais sobre sua paixão e sobre os diferentes tipos de cervejas existentes no planeta.

A cerveja é uma das bebidas mais consumidas no Brasil. Você acha que o brasileiro entende de cerveja?

A cerveja é a terceira bebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água e do chá. Mas, apesar disso, o brasileiro é um consumidor moderado da bebida. Estamos em 35º lugar em consumo, atrás da Venezuela, por exemplo. O desconhecimento sobre a cerveja é um fenômeno mundial. Mesmo em países mais tradicionais na cultura cervejeira como, Bélgica, Alemanha e Inglaterra, por exemplo, o povo conhece pouco, apesar de consumirem muito.

O que os brasileiros precisam realmente saber sobre a bebida?

É mais provável que um brasileiro conheça vinhos e discorra sobre uvas e “terroir” do que saiba que existem mais de 80 estilos de cerveja. Isso porque, nas ultimas décadas os fabricantes de vinhos patrocinaram uma verdadeira revolução na forma de abordar o mercado. A partir de sua glamourização, o vinho se popularizou na classe média de muitos países, inclusive o Brasil. Nesse sentido, há um caminho muito longo para que a cultura cervejeira seja conhecida. E ela é tão ou mais complexa que a cultura dos vinhos.

Qual a diferença da cerveja feita no Brasil com a produzida no restante do mundo?

Uma das grandes vantagens da cerveja é não depender de “terroir”. É possível produzir uma cerveja estilo Pilsen, por exemplo, em qualquer lugar ou época. Até meados da década de 1960, quem determinava a receita da cerveja era o mestre cervejeiro. Desde então, o departamento de marketing das grandes empresas assumiu essa tarefa. Dessa forma, os fabricantes escolhem receitas que agradem a seus consumidores. Portanto, a cerveja de uma região reflete, ao final das contas, as exigências de mercado. Isso vale para o Brasil e para qualquer outro país. A consequência dessa maneira de abordar o mercado é padronizar a oferta de produtos, criando uma espécie de ditadura do fabricante.  É nesse espaço que entram as boas microcervejarias, oferecendo alternativas de estilo, provocando o consumidor com diferentes produtos e experiências.

Qual a melhor forma de se degustar uma cerveja?

Para se degustar qualquer coisa é preciso estar atento. É sempre uma experiência única e individual. Os aromas, os sabores, o visual, a temperatura, a companhia, o momento e o motivo. Esses são ingredientes fundamentais da degustação.

A harmonização entre cerveja e gastronomia é muito complexa?

De todas as bebidas, a cerveja é a que é capaz do maior numero de interações gastronômicas. Isso é natural pelo fato de existir tanta variedade de estilos e sub estilos de cerveja, o que se conta às centenas. Exatamente por oferecer tantas opções é que considero muito simples a harmonização de cerveja com a gastronomia. Existem estilos de cerveja que combinam com frutas, outros com queijos, outros com saladas, outros com doces e assim por diante.

Qual cardápio você indica acompanhado de uma boa cerveja?

Me diga o cardápio e indicarei as cervejas. Mas alerto: a harmonização de bebida e comida é uma experiência única e individual. Por mais que se ouça ou leia, não existem regras; no máximo sugestões.

Qual estilo você recomenda?

Esse estilo de cerveja mais popular – essa “loirinha” popularmente conhecida como Pilsen – é o estilo mais jovem de cerveja. Considerando que a cerveja existe a mais de 10.000 anos, a Pilsen foi desenvolvida em 1842. É uma jovem de 170 anos. Portanto, ao nos referirmos às outras cervejas como “especiais” ou “diferentes” reflete nosso grau de desconhecimento sobre cerveja.

Cerveja sem álcool vale a pena?

Sim. Só não concordo de chamá-la de cerveja. Prefiro dizer que é um refresco de malte.

Com tantas cervejas já experimentadas, acha que alguma ainda pode surpreendê-lo? Você consegue eleger a melhor cerveja que já provou?

Sempre. Graças a Deus! Nunca tive uma má experiência ao degustar uma cerveja. Não gostei de algumas por não terem me agradado em algum aspecto – sabor, aroma –. No entanto, apontar a melhor seria impossível.

Por Thatyane Nardelli, da Agenda KB Comunicação